Imbecil. Simples assim. Tornei-me
imbecil.
Em momentos como estes, em dias de cão como estes últimos,
minha imbecilidade se torna mais aparente.
Fraquejo outra vez, e choro. Choro
sem derramar uma lágrima, sem fazer um barulhinho sequer. É desse choro que
mais tenho medo. É esse choro que me deixa mais longe de onde eu queria estar, é
ele que me faz sentir um frio na espinha, é ele que me deixa mais perdida de
mim.
Posso até apontar algum culpado
por me fazer querer chorar, mas a culpa é minha. É sempre minha. Ando tão cansada
de me desculpar por ser assim, de não poder salvar o mundo com as minhas mãos,
de não ser quem esperam que eu seja, quem eu queria ser. O cansaço só aumenta e
o choro silencia cada vez mais. Medo.
Eu penso em tudo que já
aconteceu, nos muros que derrubei, as batalhas que venci, mas, no fim, sou
apenas eu contra mim mesma. A pior das lutas e eu não posso falar nada a ninguém.
Silencio ainda mais. Medo.
E eu sinto saudades do que
imaginei. Só isso. Eu sinto muita saudade.

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