eu calo, mas sempre escrevo

eu calo, mas sempre escrevo

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Não é uma despedida, é uma carta de amor


Será que a gente já pode voltar pro tempo em que eu era sua princesinha e você meu bobo herói?
Será que já faz tanto tempo assim que você começou a partir?
Será que a gente, que vai ficando por aqui, vai saber te amar direito depois que você se for?
Será que essa angústia, essa dor no peito vai embora com você?
Tento não ser egoísta e pensar no que você tem passado nesses últimos anos, aí deitadinho, quieto, ouvindo vozes sem a certeza de quem elas pertencem, sentindo os toques do cuidado, recebendo olhares de amor, compaixão e saudade. Eu tento ser a profissional, tento pensar no seu bem estar, na sua saúde, mas você não é meu paciente, você é meu herói, meu ídolo, meu, meu, meu!!!! Quantas e quantas vezes você fingiu não ver a porta de vidro e acabava esbarrando nela para arrancar um sorriso da molecada, dos seus pequenos súditos! Ai, por que gente que é gente de verdade pode ficar assim, hein? Explicação fisiopatológica ninguém sabe ao certo, é tudo parte de um mecanismo desconhecido, é idiopático. A verdade é que não me importo com o que causa, não agora, eu queria mesmo é só te ouvir me chamar de princesinha para acreditar que é isso que eu sou de fato, a sua princesinha. Não escrevo para me despedir ou para apressar a sua partida, escrevo hoje por que me bateu uma saudade, uma fome da tua voz e da tua presença, do teu cheiro de livro, do sorriso largo e desse teu jeito amável e humano. Ah vô, o senhor continua lindo, cheio de vida e bem aqui dentro de mim, que é onde realmente importa agora. Será egoísmo meu te querer por aqui? Será que é a preocupação com os outros que me faz te pedir pra ficar mais um pouco, mesmo que alheio ao mundo que te cerca? Será que não é hora de te deixar decidir com Deus o que vocês acham que é melhor? É tanto será que me perco no choro silencioso. Eu só quero dizer que estou agüentando firme, estou sendo humana e espirituosa como o senhor me ensinou a ser, e que não vou deixar a peteca cair, tá! Serei a médica que o senhor quis ver formada e feliz, e serei também aquela magrelinha tímida para quem o senhor cantou parabéns na festa de 15 anos, sonhadora, movida à música (como o senhor ainda é!) e cheia de fé! Ai ai, que saudade do teu abraço! E que bom saber que Deus já te fez anjo antes mesmo de te levar até Ele, pois é o que o senhor sempre foi e vai continuar sendo, um anjo.

A gente vê tanta coisa nessa vida que esquece de olhar para dentro. 

Amor, Saudade e Fé,
                                Luna.

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