E, foi assim, meio sem perceber,
que você foi deixando de morar em mim. Foi natural e lentamente, ainda é. Não
corri pra te atender. Não te mandei mensagem. Não falei sobre você. Não ouvi ou
cantei uma música lembrando você. Foi assim, aos poucos e de uma vez. Chorei,
confesso. Orei pra te pedir a Deus. Hoje apenas oro por você.
Ainda ontem lembrei de você. Ouvi
chamarem teu nome. Era uma mãe pedindo ao filho para não correr. É, eu quis te
ligar. Ainda ontem pensei no que poderia ser se você não jogasse tanto, se
falasse o que pensa. Eu me irritei com bobagens por esperar demais de você. Criei
expectativas maiores do que você poderia suprir. Não te culpo. A culpa é minha.
Esperar demais dos outros é defeito, feio, fato. Já entendi que só Ele
corresponde a tudo que eu espero e preciso.
Hoje acordei sem querer sair da
cama. Deus sabe o quanto lutei. Pensei em inventar uma doença. Não ter que
enfrentar o trânsito, o trabalho, as pessoas. Eu quis apenas dormir. Mas,
devagar, levantei. O dia não foi o melhor, mas sobrevivi. Posso dizer que
tentei. Não me entreguei ao descaso. Eu tentei. Hoje eu sinto menos tua ausência.
E sinto menos ainda tua presença. Assim me conforto. Hoje nos falamos. Foi normal.
Talvez eu pense em você antes de dormir. Lembre dos dias das conversas longas ao
telefone. Talvez eu esteja tão cansada que nem lembre do que passou. Só peça proteção
e força pra você.
Tanta coisa acontecendo. Mil razões
pra eu desistir de levantar. Nunca fui tão só e tão completa. As pessoas ao
redor se tornaram estranhas. Poucas ainda são essenciais. Os sonhos continuam. Agora
são objetivos. Tenho andado tão ocupada. Mal tenho tempo para pensar. Sofrer. Pensar
em nós(?). Você.
Amanhã não sei como vai ser. Não
sei se voltarei atrás se você parar de jogar. Não sei se já não há mais volta. Amanhã
pode ser que eu tenha mais de você em mim. Pode ser que você já tenha sumido de
vez. Amanhã é só outro talvez.

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