eu calo, mas sempre escrevo

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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Aos poucos e de uma vez

E, foi assim, meio sem perceber, que você foi deixando de morar em mim. Foi natural e lentamente, ainda é. Não corri pra te atender. Não te mandei mensagem. Não falei sobre você. Não ouvi ou cantei uma música lembrando você. Foi assim, aos poucos e de uma vez. Chorei, confesso. Orei pra te pedir a Deus. Hoje apenas oro por você.
Ainda ontem lembrei de você. Ouvi chamarem teu nome. Era uma mãe pedindo ao filho para não correr. É, eu quis te ligar. Ainda ontem pensei no que poderia ser se você não jogasse tanto, se falasse o que pensa. Eu me irritei com bobagens por esperar demais de você. Criei expectativas maiores do que você poderia suprir. Não te culpo. A culpa é minha. Esperar demais dos outros é defeito, feio, fato. Já entendi que só Ele corresponde a tudo que eu espero e preciso.
Hoje acordei sem querer sair da cama. Deus sabe o quanto lutei. Pensei em inventar uma doença. Não ter que enfrentar o trânsito, o trabalho, as pessoas. Eu quis apenas dormir. Mas, devagar, levantei. O dia não foi o melhor, mas sobrevivi. Posso dizer que tentei. Não me entreguei ao descaso. Eu tentei. Hoje eu sinto menos tua ausência. E sinto menos ainda tua presença. Assim me conforto. Hoje nos falamos. Foi normal. Talvez eu pense em você antes de dormir. Lembre dos dias das conversas longas ao telefone. Talvez eu esteja tão cansada que nem lembre do que passou. Só peça proteção e força pra você.
Tanta coisa acontecendo. Mil razões pra eu desistir de levantar. Nunca fui tão só e tão completa. As pessoas ao redor se tornaram estranhas. Poucas ainda são essenciais. Os sonhos continuam. Agora são objetivos. Tenho andado tão ocupada. Mal tenho tempo para pensar. Sofrer. Pensar em nós(?). Você.
Amanhã não sei como vai ser. Não sei se voltarei atrás se você parar de jogar. Não sei se já não há mais volta. Amanhã pode ser que eu tenha mais de você em mim. Pode ser que você já tenha sumido de vez. Amanhã é só outro talvez.

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