Eu quis calar minha voz, mas não pude. Não consigo calar o
que sou. E quem sou eu se não música e palavras?! Como deixar de ser? Tentei silenciar
por que é preciso. Mas minha voz grita mesmo na quietude. Talvez eu nem precise
falar pra ser ouvida. Meus olhos dizem tudo por mim. Deus, como eu sou
transparente! Por mais que eu tente calar a música e apagar as palavras, elas
se fazem vivas, vívidas, reais, imortais, e, contra elas não tenho a menor
chance... devo deixá-las sair.

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